sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Mini-maratona de poesia

 

🌸 Soledade Summavielle: a poesia que habitou a nossa escola

A poesia encontrou hoje morada na Biblioteca Escolar da EB de Montelongo, num momento de evocação da poetisa fafense Soledade Summavielle. Foi uma manhã dedicada à palavra dita, sentida e partilhada, onde a literatura se cruzou com a música e a memória.

Alunos do 2.º e 3.º ciclos, acompanhados por professores, subiram ao palco para dar voz a diversos poemas da autora, enchendo o espaço com versos que atravessaram gerações. A leitura foi delicadamente acompanhada pelos Noturnos de Chopin, criando um ambiente intimista que convidou à escuta atenta, à emoção e ao silêncio significativo.

Este momento ganhou ainda maior significado graças à generosa colaboração da família da poetisa, que cedeu alguns dos seus livros, permitindo a realização de uma mostra documental dedicada à sua vida e obra. Esta exposição constituiu uma oportunidade única para a comunidade escolar contactar diretamente com os livros, os temas e o universo literário da autora.


✒️ Breve nota biográfica

Soledade Summavielle Soares Camilo nasceu em Fafe, a 7 de dezembro de 1907, e faleceu em Lisboa, a 7 de fevereiro de 2000. A sua vida foi profundamente marcada pela relação com a arte, vivida entre a música, a poesia e a criação manual, num diálogo constante entre voz, palavra e sensibilidade.

A música foi o seu primeiro caminho. Estudou no Porto e dedicou-se ao canto lírico com grande rigor, apresentando-se em palcos como o Teatro Nacional de São Carlos e em várias salas do Norte do país, nomeadamente no Porto e na Póvoa de Varzim. A voz foi, para si, simultaneamente disciplina e forma de expressão. A poesia, contudo, acompanhou-a sempre como gesto íntimo e persistente, atravessando toda a sua vida.

Fixou-se em Lisboa durante muitos anos, sem nunca perder a ligação a Fafe, terra à qual regressava regularmente e onde manteve presença ativa. Foi cofundadora do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, acreditando na criação artística como espaço de encontro, partilha e crescimento coletivo. Para além da música e da escrita, dedicou-se igualmente às artes plásticas, nomeadamente à cerâmica e à pintura, entendidas como extensões naturais do seu olhar atento sobre o mundo.

A sua poesia distingue-se por um lirismo intenso e depurado, no qual a experiência pessoal se transforma em reflexão de alcance universal. Temas como a natureza, a memória, o tempo e o desejo atravessam os seus poemas numa linguagem direta e emotiva, capaz de cantar e ferir em simultâneo.

Entre 1963 e 1991 publicou cerca de uma dezena de livros de poesia. Estreou-se com Sol Nocturno, seguindo-se Tumulto, Âmago e Canto Incerto, obra distinguida com o Prémio da Academia das Ciências de Lisboa. Publicou depois Búzio, Sagitário e Tempo Inviolado. Nas décadas seguintes surgiram Movimento de Asas e Escrínio, culminando em Jardim Secreto, livro de maturidade e recolhimento.

Em Soledade Summavielle, a poetisa e a cantora foram sempre inseparáveis. A escrita conserva o ritmo da respiração e da música; cada poema parece nascer de um ouvido interior atento e exigente. A sua obra continua a ecoar não apenas pelo que diz, mas pela forma como soa: discreta, intensa e profundamente humana.


📚 Uma experiência com valor pedagógico

A evocação de Soledade Summavielle assumiu-se como um momento de elevado valor formativo. Ao dar voz aos seus poemas, os alunos não foram apenas leitores: tornaram-se intérpretes, mediadores e participantes ativos na construção do sentido do texto poético.

A articulação entre literatura e música favoreceu o desenvolvimento da leitura expressiva, da sensibilidade estética e da capacidade de escuta — competências fundamentais no percurso escolar. O contacto com uma autora ligada ao território reforçou ainda o reconhecimento do património cultural local, promovendo o sentimento de pertença e a consciência de que a cultura também nasce das vozes da nossa comunidade.

No que respeita à estrutura da atividade, foram selecionados poemas da autora disponíveis no site dedicado a Soledade Summavielle, criado pela Biblioteca Municipal de Fafe, recurso fundamental para a divulgação e valorização da sua obra. https://bibliotecamfafe.wixsite.com/soledadesummavielle/sobre-2-c1b0a

A encenação foi cuidadosamente pensada para reforçar o enquadramento histórico e simbólico da leitura: criou-se um cenário que procurava representar a varanda de um palacete típico da arquitetura fafense do início do século XX, evocando o ambiente burguês e cultural que marcou parte do contexto social da autora. Este cuidado cénico contribuiu para tornar a experiência mais imersiva, aproximando os participantes do universo temporal e estético em que a poetisa viveu.

Celebrar Soledade Summavielle foi, assim, mais do que recordar uma autora: foi afirmar a escola como espaço vivo de cultura, memória e criação.

Mini-maratona de poesia

  🌸 Soledade Summavielle: a poesia que habitou a nossa escola A poesia encontrou hoje morada na Biblioteca Escolar da EB de Montelongo, nu...